"A vida é como um livro. E todo livro tem um fim. Não importa o quanto você goste do livro, você vai chegar na última página... e ele vai terminar. Nenhum livro é completo sem o fim."

Conheçam Brás de Oliva Domingos. Milagroso filho de um mundialmente famoso escritor brasileiro, Brás passa os dias escrevendo obituários e as noites sonhando em se tornar um autor de sucesso. Cada dia na vida de Brás é como a página de um livro. Cada um deles revela as pessoas e coisas que o fizeram ser quem é: sua mãe e seu pai, seu filho e seu melhor amigo, seu primeiro amor e o amor da sua vida. E, como em todas as grandes histórias, seus dias têm uma reviravolta que ele nunca antecipou. Em "Daytripper", Fábio Moon e Gabriel Bá contam uma história mágica, misteriosa e tocante sobre a vida.

A história é narrada em diversos momentos diferentes, oscilando entre o real e o mágico, onde jamais conseguimos distinguir se é um sonho, um flashback ou a pura realidade atual do personagem. Talvez por isso que "Daytripper" tenha permanecido, durante muito tempo, no topo da lista do The New York Times das graphic novels  mais bem vendidas.

Além dos diferentes momentos em que se passa, as cores também mudam de acordo com a história que é contada. Em uma cena feliz, como a que a família toda de Brás está reunida no almoço, as cores ficam quentes, vibrantes e muito fortes. Já em algum momento triste, como quando Brás é abandonado por sua namorada, as cores mudam completamente, passando para algo mais frio. Tanto essa mudança de cor, quanto a mudança de momento, fazem com que "Daytripper" seja um quadrinho incrivelmente interessante e inteligente.


A cada capítulo vemos a vida de Brás começando e acabando de diversas formas diferentes, em diversos tempos diferentes: aos 11 anos tentando pegar uma pipa que se enrolou em fios elétricos, aos 21 afogado no mar, aos 32 morto num assalto em um bar... Lemos cada morte anunciada em um obituário, e no capítulo seguinte, vemos como essa vida teria continuado se não tivesse acabado repetinamente. Mesmo sem a morte, novas angústias e problemas surgiriam, e quando essas dificuldades fossem resolvidas, sua vida terminaria novamente.

O que vemos, na verdade, são vários inícios e fins de uma única vida. Todas essas mortes de Brás nos fazem perceber que uma vida é, além de muito importante, um momento único, valioso, inesquecível e completamente imprevisível.

"É apenas quando você aceita que vai morrer que consegue realmente se libertar e aproveitar a vida ao máximo. Este é o grande segredo. Este é o milagre."

"Daytripper" é muito mais do que uma simples HQ, é muito mais do que uma história comum sobre um personagem qualquer. Nós somos levados a refletir sobre as realizações nas nossas vidas e o que deixaremos para trás quando o inevitável ocorrer. É uma reflexão genial em uma obra carregada de emoção.

"Com o pé calçado na realidade, o mais difícil não seria criar algo que PARECESSE real. Não, o difícil foi criar um mundo em que você SENTISSE ser real. Cada referência, cada foto, cada cor e cada personagem, tudo foi construído de forma a reproduzir sentimentos. A sensação de que você está vivo, alegre, solitário, amedrontado ou apaixonado. Queríamos aquela sensação de que a vida está acontecendo aqui, bem à nossa frente, e a estamos vivendo. E como vivemos. E às vezes morremos para provar que vivemos."
- Fábio Moon. São Paulo, novembro de 2010.

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Todas as citações desse post foram retiradas do próprio quadrinho "Daytripper".




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