Corrente do Mal é um filme norte-americano de 2015 dirigido por David Robert Mitchell e estrelado por Maika Monroe, Keir Gilchrist e Jake Weary. Ao mesmo tempo em que o longa se assemelha dos clichês filmes de terror americano, ele também se difere com suas técnicas cinematográficas.

Jay é uma garota de 19 anos que vive em uma típica cidade suburbana americana. Após ir para um encontro romântico com o namorado, ela perde a virgindade e o que deveria ser algo inocente, acaba se tornando macabro: após a relação sexual, Jay recebe do garoto uma maldição. Essa corrente faz com que a garota comece a ter visões de pessoas estranhas – e até mesmo conhecidas – atormentando-a, e para não morrer, é preciso que ela corra ou então passe a maldição adiante. 


A grande indagação do filme é: o diretor e roteirista apenas criou um enredo original sem pretensões ou quis passar uma mensagem para o público? Há muitas suposições que, dependendo da interpretação de quem estiver assistindo o filme, pode recorrer aos perigos das relações sexuais. Perda da virgindade, Aids, DSTs ou até mesmo o sexo com pessoas desconhecidas podem entrar na pauta do roteirista, que não deixa claro de onde vem a maldição e o porquê. A questão é: quer ele passar uma mensagem ou não, do ponto de vista cinematográfico ele criou até aí uma trama diferenciada para os filmes de terror.

No entanto, essa diferenciação acaba por aí. Depois disso, tudo se torna uma sequência de clichês. A garota fazendo coisas estúpidas, como correr para o lado errado; os amigos correndo riscos para salvá-la e desembocando em situações não muito agradáveis; cenas de humor para dar conforto ao telespectador e logo o assustador; criaturas que andam lentamente, mas que conseguem alcançar a vítima; personagens (novamente) fazendo coisas estúpidas que você já presume que irão morrer ou ficar gravemente feridos.


A credibilidade cai com os clichês do roteiro, mas novamente é erguida pelas técnicas utilizadas na produção do filme. A mais contrastante delas é a fotografia, que traz uma diferenciação para a indústria do cinema de terror e já pode ser percebida com o cartaz do filme. E não para por aí: a câmera dá uma percepção de que o público está mais perto da protagonista e de que os personagens estão sendo constantemente observados. O cinegrafista usa o recurso da câmera trêmula, dando mais realidade e obscuridade às cenas. 

Além disso, a trilha sonora também se sobressai. Ela é composta por Disasterpeace (codinome de Rich Vreeland), que ganha seu primeiro trabalho cinematográfico. O compositor insere sintetizadores, ruídos, baques e cliques eletrônicos no fundo de cada produção, engrandecendo o suspense e deixando o filme mais assustador.


Corrente do Mal (que em inglês recebe um título muito melhor e coerente: It Follows) usou o baixo orçamento para criar algo diferente (referente às técnicas e tema do longa) e criativo. David Mitchell conseguiu dar a impressão de uma cidade “perdida no tempo” à Detroit, com vizinhanças fantasmas e ruas pouco movimentadas. Ele também utilizou elementos retrôs em sua produção e deu um aspecto indie ao filme, quebrando os arquétipos de produções de terror hollywoodianas. 

Para saber mais informações sobre a trilha sonora do filme, acesse o blog de música: Escuta Essa! que fez uma análise completa sobre a trilha de Corrente do Mal.





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