Uma mistura de RPG e estratégia com o humor de uma sátira ocidental de uma série de TV japonesa. Esse é Chroma Squad, jogo que possui uma jogabilidade no estilo point and click e o bom clichê de heróis vs vilões a cada estágio. Feito pela Behold Studios, surgiu através de um projeto no kickstarter e pega bem a temática "super sentai" (algo traduzido do japonês como "super esquadrão"), que é exatamente o estilo das famosas séries Changeman, Jaspion, Flashman e, claro, Mighty Morphin Power Rangers.

O principal atrativo claramente é o visual e o estilo hilário da narrativa. Unindo os efeitos em 8-BIT à trilha sonora, temos um game que consegue agradar até na tela de loading. 


Há três modos de jogo, “casual”, “interessante” e “desafiante”. Para essa análise resolvi focar no segundo tipo, pois foi o que mais me chamou a atenção por seu estilo RPG. Seu time de heróis é chamado de Esquadrão, sendo que cada fase é um episódio da série e cada “mundo” é uma temporada. Se comparado a Super Mario Bros., podemos dizer que o nível "1-1" corresponderia ao primeiro episódio da primeira temporada. A divisão chega a ser tão simples quanto a jogabilidade, mas mesmo assim o conhecimento básico em jogos de estratégia com certeza ajudará. São turnos, intercalando inimigo e o jogador, como dito acima, por meio de point and click. Portanto, tenha paciência e não parta somente para a ação, sabendo quando usar cada powerup.


A “moeda” do jogo é a audiência, então ao fim de cada episódio ela (que foi ganha ao derrotar inimigos/fazer combos) é transformada em “dinheiro” e “fãs”. E os desenvolvedores ainda arrumaram uma característica de gameplay bem aproveitada: ao responder emails, dependendo de sua escolha, você pode ganhar fãs ou algum item especial em troca. De vez em quando ainda é possível receber uma oferta de contrato por email.


Um diferencial é a absurda opção de customização de seu time de heróis, com modificações do nome dos integrantes, grito de transformação, título do ataque e nome do mecha, por exemplo. Tudo isso fora a questão estética, como as vestimentas de cada um e da estrutura de seu estúdio (fatores que acabam influenciando em seu desempenho ao decorrer do game). Cada mudança, ao fim do episódio, é expressada por meio dos diálogos, como a morte de alguém ou o nível de dificuldade que você teve de passar ao enfrentar um potencial Boss.

Fora os episódios e as temporadas, você ainda possui contratos com empresas que te fazem adquirir mais audiência. Um elemento característico de RPG que está presente é a forte explicação da história por meio de linhas e mais linhas de diálogos, então fica a dica: se você quer somente partir para a briga, tente algum dos outros modos, pois "interessante" não é para você. Dentro de cada episódio, há uma série de objetivos secundários a cumprir, com as “Instruções de Direção” que te dão um bônus considerável de audiência.



Ainda em relação aos bônus, você dispõe de desafios extras com os contratos, e com isso há uma alteração da base da história/episódios da temporada. Para compensar o clima reprisado dos diálogos, algumas vezes o diretor e os heróis fazem piadas entre “realidade” e “ficção”, por trás das câmeras. É engraçado NÃO saber se você realmente é um herói ou se tudo se trata de pura ficção no estilo Power Rangers.


E ainda são diversas referências à série (e ao gênero no geral), como no momento em que você destrava o Mecha, logo de início, em uma mistura que dá um toque de animé às cutscenes. O Mecha, por sinal, é um bom diferencial de gameplay com ataques distintos e um modo de defesa similar a um Quick Time Event (em que o jogador têm de clicar um botão na hora certa), o que acaba lembrando bizarramente a cobrança de pênaltis de um dos FIFA’s antigos. E você ainda tem uma espécie de Zordon (“chefe” dos Power Rangers), que não passa de um cérebro flutuante em uma sala sombria, que beira a sátira.


Durante a batalha o seu herói pode escolher por passar o turno e somente “cooperar”. Ao escolher o personagem certo, seus parceiros curam-se e você pode optar por usar o efeito healdouken, que é uma das funções dos ataques pós-transformação de um dos integrantes. Ao derrotar um inimigo, você coleta "drops" de materiais que podem ser trabalhados na Oficina para fazer vestimentas e armadura após a conclusão do episódio. Seu desempenho influencia, claramente, no quão bem um episódio vai, principalmente caso alguém de seu esquadrão fique sem vida suficiente até o fim do turno.

Algo que agradou foi ter Português Brasileiro como uma opção de linguagem (pelo fato de os desenvolvedores serem nacionais) além do padrão Inglês. Contudo, algumas funções não estão traduzidas, mas não há nada que influencie drasticamente a jogabilidade.

Portanto, se você é mais do estilo de gamer que gosta de esmagar botões em um combate, Chroma Squad não é para você. O jogo requer estratégia e muito o que pensar antes de fazer ataques e movimentos especiais. Disponível para PlayStation 3 e 4, Xbox 360 e One, PS Vita e PC.





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