Discutimos anteriormente a Era de Ouro dos super-heróis na 2ª G.M., e ao falar sobre a história das companhias (e da história dos quadrinhos em si), há um certo indivíduo que estava lá presente desde os primeiros dias de existência da Marvel Comics. Stan Lee se envolveu no processo da escrita de HQs por puro acidente. O marido de sua prima possuía uma empresa que publicava revistas e, por volta de seus 16 anos, Stan procurava trabalho. Acontece que eles precisavam de um assistente na empresa, e ele candidatou-se à vaga. Lá, ele descobriu que eles também publicavam quadrinhos e seus primeiros serviços foram na área de publicação de HQs, que na época eram compostos por apenas duas pessoas: Joe Simon e Jack Kirby. Stan deveria ser o único à procura, pois contrataram-no. Ele era oficialmente o assistente de ambos. Reabastecia os potes de tinta, media as páginas, ia comprá-los um sanduíche. Depois de alguns meses, Joe e Jack saíram. Martin, o editor, então lhe disse: “Stan, você pode tomar conta das coisas até eu arranjar alguém mais velho?” e ele respondeu que sim. Pelo jeito, o editor deve ter esquecido de contratar alguém, pois Stan está lá até hoje.

Não parecia haver tanto a aprender que ele não soubesse: como editor, você só tinha que dar uma olhada no script que alguém escreveu e ter certeza que estava legível, dramático e escrito bem o suficiente. Stan leu a vida inteira, então tinha essa certa noção. Os ilustradores eram tão bons que mal precisavam das instruções dele. Quando o script era dado a eles, o resultado era um bom trabalho. A parte mais difícil era em relação às datas, pois ele tinha que ter certeza de que os álbuns iam às gráficas à tempo, ter certeza de que chegavam à tempo, e ter certeza de que o script chegava à tempo. Fora isso, ele estava lidando com profissionais que amavam seu trabalho e faziam-no muito bem.

Em cada parede do pequeno escritório de Stan havia um relógio. Então não importava para que lado ele estivesse virado, ele saberia que horas era. E ele saberia que, por exemplo, às 4 o artista teria que estar lá, às 5 que o trabalho teria de ser enviado à gráfica, etc. O jovem Stan vivia à mercê do tempo, e caso eles perdessem uma data de publicação, o editor ainda teria que pagar pelo serviço da gráfica.

Na época, o mundo dava boas vindas à primeira edição do Capitão América. Lá estava escrito que foi roteirizado por “Stan Lee”, ao invés de ter seu nome completo, Stanley Martin Lieber. As pessoas odiavam tanto os quadrinhos, e de vez em quando perguntavam a Stan sobre seu trabalho. Quando respondia que trabalhava numa empresa de quadrinhos, e eles davam as costas. Ele não tinha respeito. Um dia Stan queria ser um grande escritor, queria escrever novels americanas. Ele não queria ser conhecido com o mesmo Stanley Lieber que trabalhava para empresas de quadrinhos que ninguém respeitava, e então ele usou o nome Stan Lee para isso. Acontece que, na época, as pessoas o conheciam mais por "Stan" do que por Stanley Lieber. Ficou tão confuso que teve que mudar oficialmente o nome para Stan Lee.

O senhor excelsior acha que nenhum deles, do mundo das HQs, tinha noção que estavam dando início a uma nova mitologia. Todos pensavam em como não estavam ganhando o suficiente e queriam um aumento. O trabalho era difícil, mas em uma entrevista Stan disse que ama o trabalho e que também ama as pessoas com quem já trabalhou, pois eles são todos talentosos, e quando se trabalha com alguém que gosta do que faz e que faz o melhor o possível, o trabalho acaba sempre saindo muito bom.


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




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