Vinte e um anos após a primeira adaptação de Quarteto Fantástico e dez anos após o reboot, a Fox lança pela terceira vez a versão cinematográfica dos quadrinhos que conquistaram legiões de fãs por todo o mundo. No entanto, a produtora não tem um histórico de boas adaptações com o quarteto: as versões de 1994 e 2005 não tiveram muito sucesso, e a atual parece despencar de vez a franquia.

No novo filme, Reed Richards é um garoto nerd que desde pequeno desenvolve uma máquina que teletransporta matéria pelo espaço. Com a ajuda de Ben Grimm, ele monta uma supermáquina para a feira de ciências do colégio e é escolhido para estudar no Instituto Baxter, onde recebe instruções para construir a mesma máquina junto de Sue e Johnny Storm. Ao finalizá-la, eles a testam e são enviados para uma outra dimensão. No entanto, uma falha no plano os faz retornarem para a terra com sérias alterações corporais que os deixarão conhecidos como Sr. Elástico, Mulher Invisível, Tocha Humana e O Coisa. 


O filme apresenta diversos pontos ruins que não conseguem ser superados pelos bons – na verdade, há muito mais o que reclamar sobre o novo Quarteto Fantástico do que parabenizar. Começando pelo enredo, o roteirista trás um elo muito fraco entre os membros do quarteto. Tudo bem que era um filme em que contaria a origem da equipe, no entanto, a única relação que é explorada ao longo da adaptação é a amizade entre Reed (Miles Teller) e Ben (Jamie Bell). O laço de irmandade entre Sue (Kate Mara) e Johnny (Michael B. Jordan) não recebeu nenhum destaque no decorrer do longa, e os diálogos entre os dois foram questões de segundos – mostrando uma relação fria e desinteressante para o telespectador.

Quanto ao vilão do filme, a interação é ainda pior. O Doutor Destino é mostrado de uma forma tão rasa que chega a ser patético. Apesar de ele ser um dos vilões mais perigosos e badass do universo Marvel, os motivos apresentados para que ele tenha se tornado um vilão são sem fundamentos e clichês. A cena do confronto entre o quarteto e o vilão é uma das mais esperadas de todo o filme e, ao julgar pelo decorrer do longa, seria o clímax da produção cinematográfica. Sim, é o clímax. Mas palavras são poucas para descrever o quão ruim a cena se tornou. Estamos acostumados com filmes de super-heróis que trazem combates espetaculares e longos – alguns muitas vezes pecando em serem longos demais. Já esse, é curtíssimo. Chega a ser ridículo a forma em que ele se desenvolve e decepciona não somente os fãs dos quadrinhos, mas também os amantes do cinema.


Mas como já foi dito, nem todos os aspectos foram ruins – há também os positivos, poucos mas que conseguem se sobressair. Os efeitos visuais não pecam e conseguem ser melhores que dos filmes anteriores do quarteto, assim como a direção de fotografia – no comando de Matthew Jensen, que cria um processo mais sombrio e sério para o filme. Os personagens do longa, apesar de terem adaptações fracas, são interpretados por ótimos atores que cumprem muito bem seus papeis, em destaque ao queridinho Miles Teller que protagonizou o indicado ao Oscar Whiplash.

Se é válido assistir Quarteto Fantástico? Sem dúvidas. Obter referências com um filme fraco e poder compará-lo com as outras produções, é sempre bom. A questão é: haverá uma continuação para essa franquia, ou esse Quarteto Fantástico entrará para o esquecimento, a Marvel pegará seus direitos e novamente teremos outro reboot nos próximos anos? É questão de esperar para sabermos como essa novela problemática terminará.





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