Na primeira metade do século XX, a grande onda de imigração continua na Europa e na Rússia, com estrangeiros judeus. Muitos deles foram à Nova Iorque, e todos procuravam por aquelas “ruas feitas de ouro”, mas não foi nada disso que encontraram ao chegar lá, por volta de 1920, em meio à depressão americana. O espírito empreendedorista que os imigrantes levaram consigo para a américa definitivamente permaneceu. Os reais fundadores das HQs foram dois sujeitos que não eram empreendedoristas, mas pessoas que pensavam à frente de seu tempo.


Max Gaines teve uma ideia interessante, pois já que as tirinhas de quadrinhos eram tão populares, então o que aconteceria se você pegasse uma das tiras de jornal, dobrasse e grampeasse-as? O resultado seria algo chamado “comic book”, o popular gibi. Então lá foi ele, e, experimentando a invenção, colocou-os à venda em estandes de jornal em Nova Iorque. Em seguida, Max começa a fazer publicações mais caras com encadernados. E antes que pudessem perceber, os títulos começaram a criar raízes americanas junto aos “Funnies on Parade” e “Famous Funnies”, dando origem à indústria de HQs.

Os empreendedoristas procuraram por diferentes oportunidades, em negócios que ninguem queria tocar, como a indústria cinematográfica, e logo depois no final da década de 1930, os negócios de produção de gibis. A DC Comics, originalmente fundada pelo Major Malcom Wheeler Nicholson, foi tomada pelo responsável de produção das impressões, o imigrante judeu Harry Donenfeld. Ele se juntou a Jacob Liebowitz, e de repente a National Allied se transformou no que hoje conhecemos como DC Comics. Do outro lado da cidade estava outro editor judeu, Martin Goodman, que estava ativo nas pulps até migrar para os quadrinhos em 1939, chamando-os de “Timely Comics”. Alguns anos depois a linha seria conhecida pelo mesmo nome da primeira publicação em gibi que ele fez, um encadernado denominado “Marvel Comics”.


Como dizia Stan Lee, Martin Goodman não estava interessado tanto nas HQs, mas “ele estava feliz por publicá-las”. Martin tinha uma revista chamada “Stag”, anos antes da Playboy, (que queria realmente SER a Playboy), e outra chamada “Male”. Então ele cedeu a responsabilidade da produção dos quadrinhos a Stan, e só opinava na escolha das capas. Martin esteve originalmente no ramo dos negócios da distribuição, e ele acabou descobrindo quais revistas vendiam e quais não, então começou publicar algumas por conta própria. Ele possuia diferentes títulos em diversos campos, e gostava disso.

John Goldwater, co-criador de “Archie”, começou sua carreira com publicações no estilo pulp, com o auxílio de Louis Silberkleit e Morris Coin. Depois passaram a publicar histórias em quadrinhos, assim como fizeram muitas editoras na época. Os três pegaram suas iniciais e criaram os MLF Comics, publicando os Blue Ribbon Comics, os Pep Comics, e os Jackpot Comics e Top-Notch Comics que incluiam uma leva de super heróis, incluindo o primeiro herói partiota antes mesmo do Capitão América: o Escudo (The Shield).

Então haviam muitos dos próprios imigrantes judeus sendo os grandes pioneiros do gênero. Pessoas como Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do Super Homem, e Bob Kane (conhecido como Robert Kahn) e Bill Finger (conhecido como Milton Finger), que ajudaram na criação do Batman. Também havia Jerry Robinson, o primeiro assistente de Bob Kane e “artista fantasma” do Batman. Ele estava profundamente envolvido na criação do Coringa e do Robin. Will Eisner, sem dúvidas o melhor artista gráfico na história dos quadrinhos, foi o criador de Spirit que, segundo a crença de muitos, foi o primeiro super herói judeu. Também foi, algum tempo depois, o pai das graphic novels americanas. Joe Simon foi o primeiro editor na Chief, conhecida como Timely Comics, e depois batizada de Marvel Comics. Joe costumava falar sobre um adolescente que o irritava. Esse jovem era ninguém menos que o próprio Stan Lee.

Jack Kirby, que cresceu nas cidades de Nova Iorque, tornou-se parceiro de Joe Simon na criação de diversos personagens a partir de 1939, incluindo o Capitão América, Fighting American, The Fly, The Man Hunter, Sandman, The News Boy Legion, The Guardian, Bullseye, e a lista continua.


Joe e Jack depois vieram com coisas ótimas, como o Capitão América, e por certo tempo produziram algo chamado de “Boy’s Ranch”, uma história sobre adolescentes caubóis. Ambos eram inovadores: Joe era um bom escritor e Jack, um bom artista. Os dois quebraram a parceria em 1959, e então Jack fixou-se na Marvel Comics, onde se juntou a Stan Lee e ajudou a criar heróis como os do Quarteto Fantástico, Thor, Homem de Ferro, Os Vingadores, X-Men e o Surfista Prateado.

Stan diz que Kirby conseguia fazer com que as poses dos personagens “fossem as mais dramáticas que você poderia conseguir para aquela situação em particular”. Completa, dizendo que “ele sabia como deixar qualquer coisa parecer interessante. Podiam ser mesmo que duas pessoas conversando, e ele conseguia fazer parecer como se muito estivesse acontecendo. E quase nunca apagava os esboços. Quando ele colocava no papel, estava simplesmente correto”.

Mas os negócios não eram exclusivamente dominados por judeus. Em termos de publicação, havia a Fawcett Comics, que faria o Capitão Marvel, sendo muito bem sucedida. Em termos de criadores, havia gente como William Moulton Marston que, com HG Peter, criou a Mulher Maravilha (Marston também foi o inventor do detector de mentira) e Otto Binder, que se tornou a força mais dinâmica de criação da Marvel. Depois, no começo dos anos 1950, foi para a DC Comics onde criou a Super Girl e o Brainiac. Estes são os artistas e escritores que se tornaram importantes tanto na criação das HQs, quanto na criação e no alvorecer dos super heróis.


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




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