Os gregos chamam-no de Hermes e os romanos de Mercúrio. Nós o chamamos de Flash. Os gregos o chamam-no de Poseidon, os romanos de Netuno. Nós chamamos de Aquaman. A conexão entre os super-heróis e a mitologia é fascinante. Muitos vêem os super-heróis como os protagonistas na mitologia moderna. Mas o quê isso exatamente significa?

Um mito é uma maneira de se comunicar, desenvolvida por diversas culturas, por meio de histórias, poemas ou até mesmo músicas. Geralmente essas histórias contam fatos sobre a vida dos indivíduos e ensinamentos sobre onde estão localizados em meio ao universo. Contudo, é criado um paradoxo: por quê precisamos de contos fantasiosos para relatar fatos tão simples do nosso cotidiano?

Leve em consideração que os mitos espalhados pelo mundo fazem parte de dezenas de culturas através da história, e dependem da maneira como você as divide. Apesar de as antigas narrativas de super-heróis se inspirarem na mitologia grega e romana, é preciso ter a ciência de que tais mitologias são apenas uma fração dos mitos culturais que dominam o mundo.

As histórias provenientes dessas mitologias globais são ricas e bem variadas. Muitos discutem as origens do universo, enquanto outros pregam suas teorias sobre a origem da própria natureza humana por meio de lições de moral. Estudiosos discutem o que realmente os mitos estão tentando fazer, sendo que alguns os vêem como tentativas falhas de fazer ciência (como astronomia e sociologia, por exemplo), e outros dizem que os mitos nunca tiveram a intenção de serem contos verídicos literalmente, mas metaforicamente verdadeiros. Debates desse tipo possivelmente nunca chegarão a uma só conclusão.

E em relação ao paradoxo citado anteriormente, por quê você acha que precisamos da história de um adolescente com poder de escalar paredes como uma aranha, remetendo aos conflitos resultantes de ganho de poder e responsabilidade? Por quê precisamos da história de um cara que se veste de morcego para lutar contra o crime, com o objetivo de te fazer refletir sobre o que a justiça prega, e na relação entre o governo e um cidadão (em individual) nesse objetivo de pregar a tal justiça? E isso não é só com jovens. Adultos também precisam lidar com problemas emocionais, por exemplo. O Super-Homem é um mito sobre as experiências de um imigrante. O Batman surgiu como um meio de dissipar a insatisfação com o crime e a cumplicidade governamental. A Era de Prata dos quadrinhos foca na atenção que os EUA supostamente deveria começar a ter com o poder adquirido pós-ataque da bomba atômica de Hiroshima. Conforme as histórias de super-heróis são consumidas por novas gerações de pessoas ao redor do mundo, os desafios enfrentados por diferentes comunidades e culturas vão modelando a mitologia moderna, de “agentes poderosos” e “vilões covardes”. E isso é excelente: mitologias que perduram são um sinal de dinamicidade.

Na verdade, a gente não PRECISA dessas histórias para conseguir entender temas tão profundos, mas eles nos ajudam sem sombra de dúvidas. Os elementos fantásticos encontrados em mitos antigos nos ajudam a entendê-las Em culturas geradas em torno de tradições orais, é mais simples lembrar dessas narrativas e é mais fácil passá-las em diante. Para nós, o problema não é a comunicação, mas o compromisso com certeza é. Se nós queremos que jovens pensem em poder e responsabilidade, nós podemos só sentar a conversar. Ou podemos dá-lo o Homem-Aranha. Na sua opinião, qual é o mais efetivo?

E isso não é só com jovens. Adultos também precisam lidar com problemas emocionais, por exemplo. O Super-Homem é um mito sobre as experiências de um imigrante. O Batman surgiu como um meio de dissipar a insatisfação com o crime e a cumplicidade governamental. A Era de Prata dos quadrinhos foca na atenção que os EUA supostamente deveria começar a ter com o poder adquirido pós-ataque da bomba atômica de Hiroshima. Conforme as histórias de super-heróis são consumidas por novas gerações de pessoas ao redor do mundo, os desafios enfrentados por diferentes comunidades e culturas vão modelando a mitologia moderna, de “agentes poderosos” e “vilões covardes”. E isso é excelente: mitologias que perduram são um sinal de dinamicidade.

Acima é possível ver um exemplar da All Star Comics, que conta a história da Justice Society of America (Sociedade da Justiça da América) dos anos 1940. Ao lado, vemos a reedição do mesmo, Justice League of America (Liga da Justiça da América) lançada na década de 1970. Essa é a primeira vez que um grupo de super-heróis se reúne, agindo juntos como um time. A imagem da esquerda seria uma referência direta ao Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

Stan Lee diz que não importa a época: “as pessoas sempre amaram histórias contadas em formato de quadrinhos”. As pinturas rupestres, segundo ele, seriam um indício de que os homens das cavernas estariam fazendo a “sua própria versão de histórias em quadrinhos”. Os heróis da mitologia grega ainda existem, mas agora usam roupas coladas e capas ao invés de pele de animais e armaduras. E agora eles lutam contra os demônios e os dragões de sua era. Até Ilíada e Odisséia transformaram-se em quadrinhos na Classics Illustrated Comics, assim como Beowulf. Parte da série de HQs foi publicada aqui no Brasil pela EBAL (Editora Brasil-América Limitada), na revista “Edição Maravilhosa”. Então conta pra gente, como os super-heróis influenciam a SUA cultura?


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




Facebook




Comentários