Em junho de 1938, já haviam sido discutidas questões sociológicas que ocorriam pela américa e pelo mundo, e como isso afetava a necessidade do território americano de possuir um herói. Após diversas empresas negarem parceria com Jerry Siegel e Joe Shuster, rejeitando o Super-Homem, dizendo que era muito louco, muito acima dos limites, muito inacreditável, ele foi finalmente publicado na edição número um da Action Comics, a revista mensal daquele ano.

Nos anos 1970, a DC publicou uma edição de colecionador em “tamanho família” da mesma, e lá pode-se observar como tudo começou, a origem das histórias do Super-Homem, vindo de um planeta distante (por enquanto sem nome) que depois explodiu; o herói vem para a Terra ainda bebê, correndo mais rápido do que um trem; na época ainda não podia voar, mas conseguia somente saltar por “⅛ de milha” de cada vez (por volta de 200 metros).

Ao decorrer da história, vemos o herói em ação, mas ele ainda não lutava contra super vilões nem ameaças alienígenas. Ao invés disso, o Super-Homem lutava pela justiça social agindo contra todos, de gângsters a políticos corruptos. A criação de Jerry Siegel estava representando o homem comum, de todos os dias, em sua batalha pela verdade, pela justiça americana.


É possível vê-lo ainda chacoalhar um carro, fazendo com que os três passageiros caíssem. Uma dessas pessoas era Lois Lane, a sua dama (que estava sempre em apuros) da época. Outra, era o vilão da obra, Butch Matson. Logo no começo, há uma cena em que Clark está lidando com Lois. Se você olhar para esse quadrinho, nessa cena da primeira edição das histórias do Super-Homem, ele resume quase oitenta anos do triângulo amoroso entre Clark, Super-Homem e Lois Lane.

Clark pergunta: “por quê você sempre me evita no escritório?”. Enquanto dança, Lois se vira contra Clark e diz: “Por favor Clark! Eu tenho escrito histórias dramáticas o dia todo. Não me peça para repartir outra!”


Em 1939, o Super-Homem ganha sua primeira encadernação, uma HQ totalmente dedicada às suas aventuras. As vendas dispararam. A DC Comics não tinha noção do quão popular seria, muito menos na rapidez que tudo ocorreu. Já a edição #2 se tornou a primeira HQ a ultrapassar a venda de um milhão de exemplares vendidos. Agora o planeta sem nome é chamado de Krypton. Conforme a história prossegue, vemos como o herói adquiriu seus poderes, quais eram esses poderes, a morte de seus pais e isso nos leva aos dias atuais, nas aventuras modernas do homem de aço. Em uma das páginas há, inclusive, uma explicação científica para a força do personagem. Então para qualquer jovem da época que pensasse que aquilo era inacreditável, havia a explicação de Siegel, pois aquilo era totalmente real. O herói deu origem à mitologia dos dias atuais.

Eis então um dos maiores segredos por trás das artes originais das tirinhas: muitas vezes, se você olhar para essas tirinhas originais, dê uma olhada no verso. De vez em quando, os artistas desenhavam lá. Faziam retratos, esboços, ou até mesmo uma estrutura de base que seria transferida para a frente da folha e futuramente colorida. Pode-se observar, na tira original abaixo de 1943 do Super-Homem, um desenho perfeito de Lois Lane:


Esse é somente um dos segredos por trás dos encadernados de quadrinhos e das tirinhas de jornal. Todos sabemos que Stan Lee foi co-criador do panteão inteiro dos heróis da Marvel, mas o que ele pensa sobre o Super-Homem? Segundo ele, o personagem é “absolutamente maravilhoso”. Essa ideia de um cara de outro planeta no qual a gravidade era tão pesada, que ao vir pra cá ele consegue ter essa super força e dar os super saltos, o fascina. O conceito é ótimo, mas com o passar dos anos ele foi capaz de voar mesmo sem o auxílio de propulsores. Ele somente “voa” e, ele complementa, que seria melhor se tivessem deixado somente naquilo de ele conseguir pular sobre prédios em um só salto.


Na época, haviam diversos produtos para a promoção do Super-Homem, como o percussor do View-Master que mostrava tirinhas coloridas do cartum em uma espécie de arma kryptoniana e um relógio similar ao do Mickey Mouse. Havia também um cinto e, na embalagem dele, o Super Homem está com as pernas de fora - as pessoas ainda não eram familiarizadas com sua vestimenta. Nos programas de TV em preto e branco, a roupa do ator era de uma cor marrom meio bronze e marrom escuro, ao invés de vermelho e azul para facilitar a transmissão e captação pelas câmeras. A Kellogg’s com sua linha de produtos “Pep” fazia propagandas no programa de rádio, então era quase que se você consumisse aquele produto, você se tornaria o Super-Homem. Foram produzidos quebra cabeças da empresa Saalfield and Company, de Cleveland, e atrás de uma das embalagens guardadas no Smithsonian está escrito “Deps Fawcett’s Exibit 3R. Liebowitz deposition. 8/22/46. EAM”. Isso remete, basicamente, ao processo feito no qual o Capitão Marvel estaria plagiando o Super-Homem. O processo começou em 1940 e foi levado até 1953.

Até hoje o herói influencia muitos, independente da idade do leitor, o Super-Homem se torna um ícone universal do universo dos quadrinhos.


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




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