Uma das bizarrices que uma cabeça pensante 24 horas por dia/7 dias por semana pode gerar é um turbilhão de pensamentos aleatórios, mas que no fundo têm sentido. Um dos que mais me chamou atenção foi quando pensei que, se um dia algo ruim acontece com um estudante de Direito, ele facilmente pode resolver a situação por si só (ou pelo menos ter noção do que fazer pra se safar desse problema). A série How To Get Away With Murder, da ABC, produzida por Shonda Rhimes (produtora de sucessos como Scandal e Grey’s Anatomy), apresenta, com bastante originalidade, uma situação parecida e o desenrolar da história de um assassinato envolvendo alunos de direito.

Annalise Keating (Viola Davis) é uma renomada advogada de defesa, disposta a fazer de tudo para vencer seus casos e manter seu nome em alta. Atuando também como professora de Direito Penal na Universidade de Middleton, na Filadélfia, ela lança uma competição entre seus melhores alunos que passam a disputar um troféu que os pode livrar de qualquer prova aplicada por ela, além de convidá-los para trabalhar em seu escritório. A série, que gira em torno da vida pessoal e profissional de Annalise, no entanto, toma um rumo bem diferente do tradicional quando sua vida pessoal e profissional começam a entrar em colapso. 

"Tá vendo isso aqui? Não é pro teu bico!"

Wes Gibbins, Michaela Pratt, Connor Walsh, Asher Millstone e Laurel Castillo formam o seleto grupo de alunos de Annalise, e os principais envolvidos no assassinato. Com o tempo percebe-se que todos se tornaram próximos e foram ligados eternamente por acontecimentos de uma única noite – acontecimentos que mudaram suas vidas. Nesse momento tenso é possível notar suas principais diferenças – o que acaba se tornando um grande show, mostrando o impacto de um crime hediondo sobre suas vidas e aquilo que são capazes de fazer para acobertarem-se.

Logo na primeira cena já se trata do “pós-crime”. Alguns alunos em estado de choque, outros tentando pensar numa maneira de se safar da situação sem deixar pistas. A construção do enredo e ambientação são feitas por meio de flashbacks, o que impede uma conclusão imediata do que está acontecendo, com fluxo de boas informações a todo momento, deixando o telespectador cada vez mais apreensivo para saber o que já aconteceu e ainda vai acontecer. A antítese existente na cronologia da série é o que deixa tudo mais interessante.

Ao contrário do que parece, o centro de todos os tentáculos que amarram a série é a Universidade de Middleton. Uma estudante de psicologia, Lila Stangard, foi encontrada morta, e esse caso é o que levará a série ao desfecho do fim da primeira temporada. Durante os 15 episódios, também são mostrados outros casos trabalhados por Annalise e seus alunos, um por episodio – como toda boa série de courtroom americana.


“Why is your penis on a dead girl’s phone?” – Tá aí o que eu chamo de ser bem direto!

O elenco é bem diversificado e foge dos padrões. A protagonista é uma mulher negra, bem-sucedida, segura e implacável – características muito incomuns (o que não deveria ser, já que estamos em 2015!). A atriz Viola Davis atua de forma que sua figura seja de uma construção imponente e contrastante com a cena em que todo o seu personagem é desfigurado, através de metáforas expressas pela maquiagem e a produção da própria personagem em relação à sua aparência. Também são inclusos outros dois personagens negros com papel de destaque, além de uma latina e um homossexual – mais uma vez, quebrando “regras” e tratando de assuntos muito polêmicos (como racismo e estupro).

A série é relativamente nova, com apenas uma temporada de 15 episódios já exibida. A première da segunda temporada vai ao ar pela ABC no dia 24 de setembro nos Estados Unidos. Por isso, se de alguma forma se interessou, corra pra assistir e termine a tempo, você com certeza não vai se arrepender!





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