Localizado na cidade mineira de Barbacena, o hospício nomeado de Colônia foi cenário de uma das maiores tragédias do Brasil. Os rústicos muros do maior hospital psiquiátrico do Brasil tinha como principal função esconder as barbarias que aconteciam no lugar, principalmente o fato de que mais de 60 mil pessoas morreram nos pátios do hospital.

Quando atravessavam os portões do hospício, os pacientes não tinham mais nome e nem identidade. Tinham as cabeças raspadas e se vestiam com trapos e panos velhos. Um dos casos mais chocantes é de um paciente que ficou mudo por 21 anos porque ninguém se lembrava de falar com ele.

Comparado até mesmo com os assassinatos em massa nos campos de concentração nazistas, muitas pessoas eram internadas ali apenas porque se sentiam tristes. Nem metade das pessoas internadas no hospício tinham doenças mentais de fato, muitos deles eram alcoólatras, homossexuais ou epilépticos. Não era apenas isso, algumas mulheres foram internadas no hospício para que o marido ficasse livre para morar com a amante ou até mesmo meninas gravidas que foram abusadas por seus patrões.



O que mais revolta é o descaso que sofriam, vivendo no meio do esgoto e sem condições de alimentação e sem uma higiene adequada, fazendo com que muitas pessoas morressem de fome e desnutrição. Os mortos que não eram enterrados no abandonado Cemitério da Paz eram vendidos para certa de 17 faculdades de medicina. Dezenas de corpos eram jogados no pátio da faculdade sem o mínimo de cuidado com infecções. Os corpos esqueléticos eram usados nas aulas de anatomia e ninguém expressava o mínimo de preocupação em relação a aparência esquelética e mal cuidada dos cadáveres. Ninguém ligava para questionamentos a respeito da fonte dos corpos, o baixo valor dos lotes dos cadáveres era motivo suficiente para que ninguém perguntasse nada.

Chegou uma hora em que nenhuma faculdade do país necessitava de mais cadáveres e os corpos foram dissolvidos em acido no pátio do hospício, na frente de todos os outros pacientes. 
Além de tudo, os pacientes eram obrigados a comer ratos, sofriam com a violência física e algumas pacientes sofriam estupros. As mulheres gravidas tinham seus bebês levados de seus braços, que eram doados e nunca mais vistos por suas mães, as crianças cresciam e nem se quer tinham o direito de saber que sua mãe era uma das pessoas abandonadas no hospício.

Holocausto Brasileiro (Editora Geração, 255 páginas, R$21,80) nos mostra um pouco da vida dentro do Colônia, apresentando pessoas que sobreviveram a essa triste parte da história, pessoas que trabalharam e até mesmo viveram dentro daquele lugar, como Luiz Felipe Carneiro, neto do administrador e que teve o hospício como cenário de as infância.

Daniele Arbex criou uma obra com uma narrativa envolvente, conseguindo transportar o leitor para dentro dos pátios do Colônia.  Uma leitura indispensável para quem quer descobrir um pouco mais sobre essa parte quase perdida da historia do país e sobre o maior hospício brasileiro.

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