Pós 2ª Guerra Mundial, a guerra se tornou parte da cultura americana e eles só se focavam na união resultante de seus esforços. Aliados aos super heróis lutando contra seus respectivos super vilões, eles estavam defendendo algumas causas como a “ajuda” aos outros em si, como a Cruz Vermelha. Os heróis uniam os EUA.

Outra coisa que estava mudando também, era o surgimento de novos vilões. O tipo de vilões com que eles lutavam mudou radicalmente após o Pearl Harbor. Os americanos eram vistos como sub-humanos e isso era muito negativo. Eles tiveram uso do inimigo, tanto dos japoneses quanto dos alemães. A Look Magazine pagou Joe Shuster e Jerry Siegel (os criadores do Super-Homem) para bolar uma história a ser publicada na revista, sobre como seria se o Super-Homem tivesse atuado na 2ª G.M. Em algumas páginas, ele derrotou não só Hitler, como Stalin, e levou-os à justiça (levou-os para Geneva, na Suíça). Os americanos esperavam por essa espécie de “resgate”, e perceberam que as HQs poderiam se encaixar bem nas histórias da vida real.

Ao adentrar no mundo das histórias em quadrinhos na 2ª G.M., é importante entender que, nesse período, haviam esteriótipos raciais e preconceitos na sociedade americana que eram levados aos quadrinhos, refletindo especialmente no humor das pessoas pelo bem ou pelo mal. Como resultado disso, você pode ver algumas propagandas da guerra espalhados pelos quadrinhos e opiniões de pessoas que possivelmente hoje seriam considerados ofensivas.


A “America At War - The Best of DC War Comics” nos dá um olhar geral sobre o que estava acontecendo basicamente no universo dos quadrinhos na época, com a emergência dos super heróis e que suas histórias eram baseadas por completo ao redor da Segunda Guerra. Por exemplo, Joe Simon e Jack Kirby (os criadores do Capitão América) foram à DC, onde criaram os Boy Commandos: um grupo de garotos, mostrando que até mesmo os pequenos conseguiam ser bem sucedidos contra os nazistas. A capa de uma edição de 1943 mostra que eles estavam quase um ano à frente do General Eisenhower e da invasão da Normandia na apresentação da edição de apresentação do Special Invasion - no topo da capa.

Outros personagens que tinham uma longa e maravilhosa vida nos quadrinhos eram os do Blackhawk. Blackhawk na verdade lutava contra a resistência polonesa. Ele e seu grupo lutavam pelos ares contra os nazistas antes mesmo da américa entrar nessa guerra. Foi publicada pela primeira vez na edição #1 da Military Comics, em 1941. Hop Harigan, da DC, foi premiado na All-American Comics, ele era tão popular (se não até mais popular) quanto os super heróis. Era um super herói dos ares, representando o melhor que a américa tinha a oferecer, levando a 2ª G.M.


Essa em preto e branco é uma história do Super Homem que não apareceu nas HQs. Ela é das tirinhas de jornal diárias da época. A DC estava em um dilema em relação ao Super Homem: se ele fosse para o exército, ele acabaria com os alemães e tomaria conta do império japonês num piscar de olhos, e seria o fim da guerra. Mas a DC não queria isso. Eles não queriam depreciar a imagem do herói. Então o Super Homem e a maioria dos outros heróis não foram envolvidos diretamente na guerra. Mas como explicar isso para os leitores que querem saber por quê o herói não está na frente do batalhão?


Então eis aqui a resposta: o Clark Kent não pode esperar para se juntar às forças armadas, ele passa pelos testes físicos e tem que fazer o teste visual. Na época você tinha que passar por esse útlimo teste antes de entrar no exército. Na hora, ele fica tão ansioso que acaba acidentalmente utilizando a visão de raio-x e lê o quadro que está na sala adjacente. Clark falha no teste e tira “4-F”. Agora está fardado a passar o restante da segunda guerra como repórter, e como Superman lutando contra os bandidos e espiões que se infiltram no país pelas áreas do litoral. Há, no entanto, algumas capas em particular nas quais o Super Homem mostra que realmente estava tentando ser ativo na 2ª G.M. Uma dessas capas mostra Super Homem, Batman e Robin em cima de um dos melhores navios de guerra, mais especialmente para saudar os homens do que pela luta em si.

Um dos maiores produtos do Super Homem, nos dias em que ele começa a migrar para a outra mídia, foi a edição de capa dura de The Adventures of Superman de 1942, que tinha ilustrações e pinturas feitas por Joe Shuster e pelo estúdio dele. Você pode ver o Super Homem capturando uma bala da artilharia em pleno ar. Então enquanto ele não estava lutando na 2ª Guerra, ele estava certamente ativo.


Da esquerda para a direita - Spy Smasher, Bullet Man, Capitão Marvel, Minute Man e Mr Scarlett, se preparando para correr atravessando continentes. Na capa, pode-se observar o selo “BE AN AMERICAN”. As empresas de HQ estavam trabalhando junto ao governo em várias agências, durante a 2ª Guerra. Eles colocavam anúncios dizendo para comprar mais títulos de guerra, selos para encorajar vitória, além de fazer edições especiais de HQs, como a edição especial para a marinha norte-americana do Super-Homem (Special Edition for the U.S. Navy), na qual alteraram algumas histórias afim de salientar o treinamento dos recrutas.


Algumas até eram bastante positivas, como essa em que Batman, Robin e Super-Homem parabenizam os recrutas, mas algumas vezes elas eram um pouco mais sombrias. As edições 8 e 9 da “World’s Finest” são um bom exemplo: na primeira, podemos ver os três vendendo selos em uma barraca na feira, e sobre eles há uma placa dizendo “abatam os japanazis com títulos e selos”. Já na #9, eles estão de volta à feira, atacando Hitler, Tojo e Mussolini de maneira bem explícita.

Em uma edição da “More Fun Comics” (título irônico) podemos ver os heróis da DC Speedy e Arqueiro Verde lutando contra os japoneses. Esses eram os heróis americanos em meio a 2ª G.M.


Há o Escudo como o primeiro herói partiota, e o segundo herói, criado em março de 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, foi Capitão América. Logo na capa da #1 vemos o Capitão dando um suco na cara de Adolf Hitler. Então o herói se tornou um dos maiores sucessos entre os heróis de quadrinhos durante a época de guerra. Mas DC também possuía uma figura partiota, a Mulher Maravilha. Ela apareceu pela primeira vez na All-Star Comics número 8, onde a Justice Society of America realizava suas reuniões, e teve sua primeira HQ particular (em - ano -) na Sensation Comics número 1.

Em 1945 o dia da vitória europeia e da vitória contra o Japão marcaram o fim da Segunda Guerra para os EUA, e tambem o fim do reinado dos super heróis. O fim da era dourada dos quadrinhos estava se aproximando.


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




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