Garoto nerd se apaixona pela garota popular do colégio. Mais um filme clichê? Cidades de Papel é a segunda adaptação cinematográfica dos livros do autor norte-americano John Green. A primeira, A Culpa é das Estrelas, estreou em 2014 e foi o filme mais assistido pelo público brasileiro no ano. Agora, a adaptação que estrela Nat Wolff e Cara Delevigne promete ser uma adaptação ainda melhor, ou pelo menos manter o nível de sucesso que foi A Culpa é das Estrelas.

Quentin (Nat Wolff) é um adolescente introvertido que mora ao lado da casa de Margo Roth Spiegelman (Cara Delevigne). Os dois se conheceram na infância e tiveram uma amizade saudável durante muito tempo, o que fez com que Quentin se apaixonasse por ela. No entanto, o passar do tempo e as circunstâncias fizeram de Margo a garota mais popular – e badass – do colégio e de Q um garoto nerd e retraído.

Muito bem. Até aí, mais uma história clichê com personagens estereotipados. Porém, o enredo, assim como o do livro, começa a ganhar pontos por originalidade quando em uma noite Margo aparece na janela de Q e pede por um piloto de fuga e seu carro emprestado. A garota conta que fora traída pelo seu namorado e apresenta o seu plano de vingança para Quentin, que não hesita em ajuda-la. Um tanto quanto estranho, pois os dois não se falavam o ensino médio inteiro.

A partir disso, os dois saem de madrugada por Orlando para cumprir todas as missões da lista de Margo, que envolvia enrolar carros em papel filme, depilar a sobrancelha de valentões e deixar peixes mortos em certas casas, tudo para se vingar do ex-namorado e dos amigos que Margo achava que podia confiar. Uma noite longa, inesperada e eletrizante que não só ascendeu as chamas do amor de Quentin pela garota, mas também aumentou as esperanças de que nos próximos dias a amizade deles voltaria a ser o que era, e ele, como o seu parceiro de crime, se tornaria o amor de sua vida... até Margo desaparecer no dia seguinte.

O desaparecimento de Margo marca o grande mistério e enredo do filme. Para sua mãe, não tratava de mais uma rebelde e breve fuga. Para os estudantes e colegas de Margo, um motivo de fofocas e especulações. Mas para Quentin, uma obrigação de encontrá-la. O jovem, juntamente com seus amigos Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith), inicia uma busca por pistas e um plano para encontrá-la. Entram também nesse momento a estonteante e amiga de Margo, Lacey (Halston Sage) e a namorada de Radar, Angela (Jaz Sinclair). 

A adaptação do livro segue dois momentos: a grande maior parte do filme se aproxima da história do livro, trazendo frases, personagens e cenas extremamente fiéis. Já no segundo momento, beirando para o final do longa, o filme se distancia bastante do livro. Isso, por parte do público e das críticas, gerou opiniões adversas. Mas, convenhamos: a mudança tornou a história muito melhor. Essa foi uma das surpresas que John Green trouxe para as telonas, já que esteve presente na execução do longa-metragem. 

Outra surpresa foram as referências ao mundo pop, como a música de Pokemon. Já a trilha sonora não decepcionou: as cenas contaram com maravilhosas canções que se encaixavam perfeitamente na trama. As atuações foram condizentes com os personagens, e os momentos engraçados do filme – que tiveram dose e momentos certos - foram espontâneos e nenhum um pouco forçados. 

A grande semelhança de Cidades de Papel com A Culpa é das Estrelas é bastante visível. O autor, John Green, assina o longa como produtor executivo e os roteiristas e produtores são os mesmos de A Culpa é das Estrelas. Apenas o diretor foi mudado: Jake Schreiner assume o papel e garante um filme uniforme e digno de adaptação. Tendo umas pitadas clichês ou não, o filme se torna leve e gostoso de ser assistido. Mas nem por isso deixa de mostrar seus valores: a amizade, a juventude e a busca pelo autoconhecimento são pautadas de forma belíssima e sutil. Quanto a dúvida de que se Cidades de Papel se tornará o A Culpa é das Estrelas do ano, só resta afirmar: o filme consegue atingir as expectativas e o seu público alvo.





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