Grande por ser um dos últimos grupos dos anos 60 e um dos primeiros dos anos 70, Led Zeppelin se insere logo no começo da era psicodélica, na chegada da era do rock progressivo e heavy rock que a banda posteriormente definiria. Desde o início tocavam em grandes arenas, sendo uma das primeiras que se expandiu exatamente nesse aspecto, tornando-se permanentemente uma “banda de estádio”. Eram descendentes diretos dos Yardbirds, parte de uma tradição que incluia The Who, Cream, Jimi Hendrix (e sua banda) e o grupo de Jeff Beck, sendo que esse último foi praticamente a base da constituição do Led Zeppelin. Inovadores, tocavam um tipo de rock n’ roll pesado diferente do tipo “pancada” do Black Sabbath, havia definição clara da profundidade, possivelmente vindos da combinação de influências dos integrantes.

Por exemplo, o vocalista Robert Plant tinha influências diretas do soul e do gospel. Amava música folk (como Bert Jansch, John Renbourn e Davey Graham) e o público percebia isso. Ele uniu todas as vertentes nesse estilo de rock claro, direto e objetivo. Gostava de Elvis, logo o rock “à moda antiga” com uma pitada de folk em um som mais pesado e as letras eram baseadas numa mistura de mitologia celta com Tolkien.

Então, houve uma reunião entre ele e o futuro guitarrista da banda, Jimmy Page, para decidir se Robert seria mesmo o vocalista do grupo que estava em construção. Robert veio da metrópole de Midlands Ocidentais (West Midlands; condado) para ficar no estaleiro de Page no rio Thames, onde levou consigo alguns discos e eles fizeram uma reunião, discutindo os discos favoritos de ambos. No que eles ouviram pode-se destacar: Howlin’ Wolf, Little Walter, os blues de Chicago da Chess Records, um pouco de folk, Bert Jansch, John Renbourn e Robert Johnson. Havia um som acústico de country-blues, mas predominava o som vindo de Chicago. Então, Plant e Page descobriram que a base do seu gosto musical em comum era blues.

E assim foi moldado Led Zeppelin, o blues acabou tornando-se um elemento chave. Foi, contudo, apimentado com riffs mais elaborados em um som mais estrondoso. Gradativamente, as músicas ficaram mais altas e mais extensas, e a base dos riffs era cada vez mais complexa. Eles pintavam sobre o blues ainda mantendo uma base de inspiração no estilo, tanto na composição musical quanto na composição das letras, uma fonte de algo um tanto quanto profundo que não chegava a ser considerado como “pop” da época. Foi exatamente esse o grande presente que o blues trouxe: a capacidade de colocar os músicos em contato com algo mais profundo e mais misterioso do que o mero pop.

Até as músicas julgadas como “emprestadas” se tocadas junto às originais de blues, são muito diferentes. Mesmo com o passar do tempo eles não perderam o contato com a essência pura dos primórdios da música. O estilo foi o ponto de partida e, com o Led, a conexão com suas origens era concreta.





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