Os EUA de 1920 deixava para trás o pavor adquirido na Primeira Guerra e aproveitava o crescimento periódico da arte. As mulheres já podiam votar, o jazz se tornava popular, os cinemas começavam a surgir e os americanos enfrentavam essa época maravilhosa de avanços tecnológicos que levariam ao consumo em massa de aparelhos telefônicos e daqueles novos veículos motorizados (os populares carros).

Mas mesmo com essas grandes conquistas, o país enfrenta o crime organizado, sendo que esse não era o único problema dos anos 1920. No final da década eles são colocados contra os problemas trazidos pela quebra da Wall-Steet, conhecida também como “Quinta-Feira Negra”. Muitos comércios que fecharam suas portas ao final do dia não voltariam nunca mais a abrí-las. Uma média de 25% dos americanos sofria com o desemprego e, com isso, a taxa de crimes aumentou absurdamente. Não é nenhuma coincidência que heróis como o Besouro Verde, O Sombra e Dick Tracy lutavam contra esses gatunos em programas de rádio e em histórias de jornal.


As HQs chegaram nos EUA pela metade dos anos 1930. O que estaria criando uma demanda dessa nova forma de entretenimento, chamada de “história em quadrinhos”? Dwight Bowers, curador do Museu Nacional de História Americana, diz que os residentes de cidades pequenas nessa época estavam percebendo que eles estavam se tornando “parte de algo maior que somente uma cidade pequena”. Eles eram parte de uma unidade que estava diante da crise econômica da época, e procuravam uma válvula de escape no entretenimento, justamente quando as HQs eram baratas e acessíveis: uma forma de entretenimento que permitia com que eles pudessem ir além da “existência do dia-a-dia”.

Além desse meio de entretenimento rico, havia o cinema e o teatro. Contudo, as HQs se destacavam pela portabilidade e pelos preços mais acessíveis. Quando uma típica família americana estava reunida em casa, à tarde, e não tinha um tustão para ir ao cinema, eles se juntavam à frente do rádio. O aparelho possuia um coração eletrônico antes mesmo da TV.

Na época, haviam dezenas de gângsters famosos, considerados “celebridades”. Eles eram os anti-heróis. Os estúdios Warner Bros. aproveitou-se da situação e basicamente tirou o roteiro de seus filmes direto das manchetes dos jornais.



Então começam a ser produzidos os primeiros exemplares de HQs, existindo inicialmente apenas dois tipos: as pulp magazines e as tirinhas de jornal. As pulp eram assim chamadas por causa do papel em que eram impressas. Eram partes de papel sem acabamento adequado, com bordas ásperas. Isso era um atrativo, então, para os jovens da época por ser uma experiência inacabada. Alguns personagens surgiram exatamente nessas pulp magazines, como O Sombra (The Shadow), que depois se transformou em uma HQ única, e em seguida ganhou um programa no rádio e uma série de filmes. O mesmo ocorreu com Flash Gordon, Tarzan e com o Super-Homem. Eles queriam capitalizar o sentimento americano da época (enquanto nós buscamos hoje um herói que possa resolver nossos problemas), e aqueles personagens tornavam isso possível.

Os super-heróis não nascem somente da imaginação de seus criadores. Eles nascem a partir de suas épocas. Grandes heróis surgiram no final da década de 1930 e começo da década de 1940, um período bastante agitado para todo o mundo. Com a chegada da 2ª Guerra na Europa/Ásia, os EUA aproveitava o período em que não estava envolvido na batalha e cria o Super-Homem em 1938, Batman em 1939, Capitão América em 1940 e a Mulher-Maravilha em 1941. Com a criação desses “salvadores da pátria”, as vendas de quadrinhos aumentam, colocando-os como parte permanente da cultura americana.

Em 1939 foi organizada a Feira Mundial de Nova Iorque, um grande evento futurista de importância internacional. O slogan do dia de abertura era “o alvorecer de um novo dia” e o tema era o “Mundo de Amanhã”. Então, o objetivo principal da realização do evento era tirar a américa da depressão, deixando-os mais otimistas. Foram publicados dois livros da DC: “New York World’s Fair Comics 1939” e “New York World’s Fair Comics 1940”. Na capa da edição de 1940, estava estampado o Super-Homem, Batman e o Robin, com o Trylon e a Esfera ao fundo. Essa é uma das capas mais importantes de toda a história das HQs, e é a primeira vez que os três heróis aparecem juntos. Foi uma espécie de anúncio direcionado aos leitores, dizendo “ei, existe esse universo da DC em que todos os personagens coexistem!”.

Depois do Super-Homem ser oficialmente chamado de O Homem de Aço pelos criadores Jerome Siegel e Joe Shuster, os mesmos deram-o outro nome: O Homem de Amanhã. Daí pode-se ver onde a DC se encaixa nessa história, do tema da feira ser O Mundo de Amanhã, e o Super-Homem ser chamado de O Homem de Amanhã.


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




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