Doze anos. Essas são as duas palavras que servem de referência para o filme norte-americano Boyhood (2014), de Richard Linklater, que recebeu notoriedade e reverência por ser um dos filmes que tiveram maior tempo de produção na história cinematográfica.

A trama segue a história de Mason (Ellar Coltrane) em uma narrativa que percorre desde a sua infância até a juventude, abordando problemas familiares rotineiros enquanto a personagem lida com a separação dos pais interpretados por Patricia Arquette e Ethan Hawke. Aos seis anos de idade, as únicas preocupações de Mason são entregar a tarefa de casa à escola e iniciar implicações com a irmã mais velha, Samantha. Desde a infância, o garoto passa por padrastos violentos, mudanças de cidades, problemas financeiros e amorosos. A estória culmina no início da sua vida adulta, com 18 anos, com a sua formatura do ensino médio que o direciona para diversos horizontes na qual ele deverá escolher um para prosseguir com a sua vida. 

Com uma temática singela, mas ao mesmo tempo madura, Linklater faz do filme um retrato da realidade. É difícil não se identificar nas cenas, pois o longa proporciona uma fácil conexão com o telespectador, trazendo situações de convívio familiar e da própria identidade da personagem principal à tona, como por exemplo, “o que farei quando sair do colégio?”, “como lidar com o novo namorado da minha mãe?”, “como superar um relacionamento?”, “será que devo entrar para a faculdade?” 

As atuações chegam aos extremos: Patricia Arquette cumpre tão bem o seu papel que foi consagrada com um Oscar e um Golden Globe de melhor atriz coadjuvante. Ethan Hawke, que interpretou o pai de Mason, foi indicado também ao Oscar e ao Golden Globe como melhor ator coadjuvante, porém sua belíssima atuação não foi premiada. Já a irmã de Mason, interpretada pela filha do diretor, Lorelei Linklater, deixa a desejar com expressões faciais que não se alteram com o passar dos anos. Ellar Coltrane conquista o público interpretando um Mason afável na infância e confuso na adolescência, no entanto, não recebeu indicações por sua atuação. 

Como o filme traça 12 anos na vida dos personagens, a trilha sonora também se desenvolveu nesses anos e o filme não perdeu a chance de mostrar essa linha do tempo. Já nas primeiras cenas ouvimos “Yellow”, do Coldplay e também “Oops I Did It Again” da Britney Spears, que na trama é cantada por Samantha. Nas cenas finais, o longa conta com a música “Hero”, da banda norte-americana de indie rock Family of the Year, que vai de encontro com a sutil personalidade de Mason ao afirmar “Deixe-me ir, eu não quero ser o seu herói, eu só quero lutar como todos os outros”. Além disso, músicas do The Hives, Arcade Fire, Blink 182, Soulja Boy, Gnarls Barkley, Vampire Weekend, Phoenix, Lady Gaga e Foo Fighters. 

O filme pode sim, em alguns momentos das quase três horas de filme, cair na monotonia por não ter elementos eletrizantes ou enredo de reviravoltas. No entanto, o brilhantismo na qual o diretor e roteirista apresenta a vida de um garoto que, sem efeitos especiais, visuais ou maquiagem, apenas com o crescimento biológico de todo o elenco, carrega a trama para uma excelente linha de amadurecimento, nostalgia e reflexão. E claro, tudo isso administrado com notórias pinceladas emocionais e reconfortantes.





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